Publicado por: caetanosdecima | 12/09/2013

Nós somos muitos… Por: Lucyene Diniz

“Quem deu esse nó não soube dar.

Esse nó tá dado eu desato já.

Oh, desenrola essa corrente.

Deixa o povo trabalhar.”

por Lucyene Diniz, irmã Notre Dame que vive no Assentamento Maceió em Itapipoca,

Foto: Lucyene diniz
Foto: Lucyene diniz

O nosso Grito dos e das Excluíd@s no Caetanos de Cima foi marcado pela troca de vivência pelos povos da terra e do mar. Nós do Assentamento Maceió saímos cedinho movidos pela solidariedade com a comunidade vizinha, o povo animado em encontrar e celebrar junto com os compadres e comadres.

Ao chegarmos à comunidade já tinha outras comunidades lá reunidas. Fomos acolhidas com café, tapioca, sardinha assada na brasa, garapa de cana, água de coco e acima de tudo pela alegria da comunidade do Caetanos de Cima de receber a companheirada.

Lá não pega nenhuma operadora de celular, mas tem uma lan house na comunidade e os jovens foram logo conseguir uma horazinha para atualizar o status do facebook, enquanto os mais velhos conversam com os moradores compadres e comadres, só ai percebemos de como as gerações se comunicam de formas diferentes.

Depois fomos logo cada qual arranjar um lugarzinho para atar a rede, sempre bem acolhidos e acolhidas pela comunidade local e assim que nos abrigamos fomos almoçar e era uma fartura: galinha, peixe, carne de porco, tudo muito gostoso e partilhado com alegria.

Após o almoço a juventude se reuniu na capela para preparar os cartazes e depois vieram todas e todos para capela para nos motivarmos e receber da comunidade as orientações para o nosso ato.

A Comunidade do Caetanos puxou cantos antigos da luta e caminhada das comunidades e depois acolheu quem veio e quem veio disse de onde estava chegando. Recebemos as orientações e depois duas senhoras intercederam aos céus que tudo ocorresse na santa paz de Deus.

Organizamo-nos lá fora, com as nossas faixas e cartazes a frente e as mulheres dos Tambores de Safo nos animaram com os seus tambores os cânticos de nossas lutas de ontem e de hoje.

E assim fomos cantando em defesa do território, em defesa da terra dos nossos ancestrais e que queremos garantida para aqueles e aquelas que veem depois de nós.

Foto: Lucyene Diniz
Foto: Lucyene Diniz

O que marcou foi a junção do novo e do velho: os mais velhos partilhando suas experiências de lutas e os mais novos bebendo na fonte, aprendendo, partilhando, brincando e lutando lado a lado, cada qual contribuindo com o que mais tinha de precioso, sejam as mãos calejadas pelo tempo ou pelo vigor e paixão de quem está aprendendo a lutar por seus direitos.

E a noite, quando veio 3 viaturas da polícia, com 7 policiais militares a gente se percebia como perigosos, e nós que poderíamos ser cem nos tornamos oitocentas pessoas. E só no poder de vir até a comunidade três viaturas nos mostra a quem a polícia serve. Depois que os policiais se foram, nos sentamos em roda no salão e partilhamos como tinha sido a experiência e de tudo o que fica é que nossa ação nos fortificou, tanto a comunidade local como aqueles e aquelas que vieram apoiar.

E levamos na mente e no coração o que o companheiro declamou: “gente é como a água do mar, mesmo movendo lentamente não se deixa dobrar”.

Terminamos nossa noite do 7 de setembro dançando o Coco com a Comunidade do Caetanos – que mantem essa dança tradicional, passando de geração em geração- e depois com um forrozinho que ninguém é de ferro, e na nossa luta sempre há espaço para a dança, a beleza, para amizade.

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“Como é que estamos em um país sem miséria se nossos filhos não têm onde morar?” foi o que disse um pescador de Caetanos de Cima, no Assentamento Sabiaguaba, em Amontada, para aproximadamente 300 pessoas, ao falar sobre o grave problema de especulação imobiliária que sua comunidade tem vivenciado nos últimos anos. O grupo, formado por moradoras/es, representantes de assentamentos da região, de comunidades da zona costeira  e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), reuniu-se para realizar ato simbólico de retomada das terras cercadas nas dunas ao redor da lagoa, dentro do Assentamento, em Caetanos de Cima.

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“Essas terras pertencem ao assentamento e queremos prepará-las para as gerações futuras, para os jovens e os que ainda nem nasceram. Enquanto os que vêem invadindo, fazem isso só para vender para o povo do sul, das eólicas, para fazer sitio de político, para uma especulação que expõe nossos jovens às drogas e à exploração sexual.” A afirmou outro morador quando expressava sua indignação diante da ineficiência do Estado em garantir o território e a segurança dos assentados.

O imóvel existe desde 1989, foi criado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a partir da mobilização de pessoas que já viviam na região. Legalmente, o órgão é responsável pela retirada e indenização as famílias que não concordam com o assentamento, questão nunca resolvida e que atualmente contribui para o acirramento dos conflitos existentes no assentamento. O Incra também é responsável por articular políticas públicas, assistência técnica e garantir o bem estar e a segurança dos assentados. Mas as/os assentadas/os de Sabiaguaba reclamam que “só há recurso para a cultura, para a terra, pesca e agricultura nada”.

Foto: Camila Garcia
Foto: Camila Garcia

As áreas em questão já foram alvo de conflitos em diferentes momentos, elas estão redor de uma grande lagoa entre dunas, paisagem muito cobiçada por empresários do turismo. Nos anos 2000, o assentamento enfrentou conflitos com o hoje falecido, Julio Trindade, empresário que queria construir resorts na região. Em 2009, os moradores denunciaram o inicio do processo de invasão com a colocação de cercas na área e nada foi feito.

No primeiro semestre desse ano, empresas envolvida na construção do Parque Eólico de Icaraí foram denunciadas ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais não renováveis (IBAMA) por retirar água da lagoa para a construção das estradas de acesso ao empreendimento. Após ser multada a retirada parou, mas nada foi feito para recuperar a área degradada.

Enquanto as cercas nas terras do assentamento só aumentavam. Diante da inoperância do Estado, a população local decidiu por uma ação de derrubada das cercas de invasores, como forma de protestar e pedir a ação dos órgãos federais. “Estamos cansados de procurar Incra, Ibama, Ministério Público e nada, só queremos a garantia do nosso direito” relatou uma senhora que participou da retomada.

O grito dos excluídos na zona costeira

Partilhando peixe, tapioca, e frutas dos seus quintais, Caetanos de Cima recebeu companheiros e companheiras de todo o Ceará, assentados que enfrentam problemas semelhantes com o Incra e representantes de comunidades na zona costeira que enfrentam conflitos contra o turismo, a carcinicultura e os parques eólicos. O sentimento de solidariedade fortaleceu a caminhada do grupo da sede da associação até a área cercada, cantando e gritando palavras que expressavam denuncia e indignação, mas também a união das populações tradicionais e afirmação de seus modos de vida.

Foto Camila Garcia
Foto Camila Garcia

“Hoje muitos estão em luta no Brasil. Nós também”. Disse uma jovem que participava da ação. A presença expressiva da juventude foi uma das marcas da manifestação. De tradição ligada as Comunidades Eclesiais de Base nos anos de 1980, as/os participantes reconheceram que este era o seu grito dos excluídos. Que nacionalmente realizou atividades no país com o lema “Juventude que ousa lutar, constrói o projeto popular.”

Após a derrubada das cercas, o grupo dançou uma grande ciranda nas dunas, como forma de agradecer aos presentes e afirmar a cultura e o trabalho das populações tradicionais da zona costeira. À noite, a Policia Militar esteve com três viaturas no Assentamento. Disse que havia recebido denuncias contra a comunidade. Após ouvir que a área pertence ao assentamento federal, solicitou que fossem procurados os órgãos competentes.

Próximos passos

O ato simbólico ocorreu no dia em que diversos movimentos foram às ruas lutar por direitos em todo o país. Conectados com o momento político no Brasil, as/os manifestantes em Caetanos de Cima afirmaram que se manterão organizados. “Agora vamos ao Incra cobrar uma atuação. Pois já recebemos ameaças e não vamos calar.”

Nós, representantes do Assentamento Sabiaguaba, de outros assentamentos rurais de Itapipoca e Amontada, de comunidades da zona costeira do Ceará; do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP), do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e de outras organizações parceiras, nos reunidos no ultimo 7 de setembro em Caetanos de Cima, no Assentamento Sabiaguada, em Amontada, Ceará, para uma ação de retomada do nosso território invadido por terceiros.

Reconhecemos na especulação imobiliária de Caetanos de Cima uma forte expressão de como empresas e Estado atuam em um modelo de desenvolvimento, que visa destruir nossa autonomia e soberania alimentar, saqueando nossos bens ambientais.

Denunciamos a ineficiência do Estado em garantir os territórios das populações tradicionais e de trabalhadoras/res rurais por todo o país. Mesmo as comunidades que conquistaram instrumentos legais para a proteção de suas terras, seja por assentamentos e/ou unidades de conservação, permanecem ameaçadas por empresários e grandes projetos apoiados por governos municipais, estaduais e federal. Enquanto isso, as responsabilidades sobre a gestão e assistência técnica aos trabalhadores e trabalhadoras são cotidianamente negligenciadas.

Denunciamos ainda que em conseqüência dessa triste realidade, assistimos na zona costeira a invasão de grupos empresariais do turismo, da carcinicultura, dos parques eólicos e do agronegócio que destroem nossas dunas e lagoas, cortam nossos manguezais, contaminam nossos solos e ainda ameaçam nossas vidas.

Tememos por nossa segurança, pois é sabido que em Sabiaguaba e em outros territórios tem crescido a presença de grupos armados e tráfico de drogas coagindo a população local, facilitada pela omissão dos órgãos e autoridades públicas.

Mas afirmamos que não vão nos calar. Neste dia em que movimentos em todo o país estão em marcha com o grito dos excluídos, nós nos somamos às vozes da resistência. Em Caetanos de Cima, mulheres, homens, idosos, jovens e crianças, reafirmam em caminhada e ciranda a resistência e luta por um projeto popular e democrático de transformação da sociedade.

Esse é um importante momento que expressamos a nossa indignação pelo descaso do Estado em relação aos direitos coletivos por nós conquistados e também a nossa força de articulação para enfrentar as tentativas de privatização e comercialização de nossos territórios.

Reivindicamos às autoridades:

  • Presença e ação dos organismos federais competentes para conter e punir as tentativas de apropriação privada das terras do Assentamento Sabiaguaba e de outros assentamentos no Estado do Ceará.
  • Que o INCRA, realize a demarcação dos limites do Assentamento Sabiaguaba e resolva as pendências jurídicas, que se prolongam há mais de 24 anos!
  • Que sejam garantidos apoio técnico e financeiro para todos os assentamentos da Reforma Agrária.
  • Que sejam feitas investigações sobre as denúncias de invasão das terras do assentamento e trafico de drogas na região!
  • Que o Ministério Público Federal investigue licenciamentos e estudos de impactos ambientais apresentados pelas empresas que estão instalando os parques eólicos em Amontada e em várias regiões do Ceará!

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Por nossos direitos, estaremos presentes, solidários e unificados em defesa dos nossos territórios!

Somos Todos/as Caetanos de Cima

Amontada, 7 de setembro de 2013

Tatajuba – Camocim

Curral Velho – Acaraú

Caetanos de Cima, Assentamento Sabiaguaba – Amontada

Matilha, Assentamento Sabiaguaba – Amontada

Lagoa do Jardim – Amontada

Barra de Moitas – Amontada

Tanques – Amontada

Nova Conquista – Amontada

Melancias – Amontada

Assentamento Timbaúba – Itapipoca

Assentamento Maceió – Itapipoca

Estudantes do departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará

Tambores de Safo – Fórum Cearense de Mulheres

Fórum em Defesa da Zona Costeira do Ceará – FDZCC

Batoque – Aquiraz

Prainha do Cato Verde – Beberibe

Jardim – Fortim

Vila da Volta – Aracati

Cumbe – Aracati

Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP)

Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST)

Publicado por: caetanosdecima | 14/12/2012

Pacotes para Revellion 2012

Pacotes de R$ 350,00 à R$ 400,00.

Entrada de 29/12/2012 à 01/01/2013

Incluso uma trilha, ou um passeio de barco ou passeio de carro de boi mais apresentações culturais e uma ceia na noite da virada

Para mais informações:

Email: turismo.caetanos@yahoo.com.br

Celular: (85) 9922-1987 ou (85) 9626-6769

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Publicado por: caetanosdecima | 31/01/2012

Reportagem da Tv Verdes Mares em Caetanos

Publicado por: caetanosdecima | 24/12/2011

Pacote para o Carnaval 2012!

Carnaval fora do agito das grandes cidades é com a Rede Tucum
Passe o carnaval entrando em contato com a natureza e modos de vida comunitários em uma das comunidades que fazem parte da Rede Tucum! Jenipapo-Kanindé, Batoque, Prainha do Canto Verde, Assentamento Coqueirinho, Ponta Grossa, Tremembé, Curral Velho Tatajuba, Caetanos de Cima e Flecheirasa partir de R$400,00 para todos os dias do carnaval!

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Publicado por: caetanosdecima | 31/10/2011

Casa de hospedagem: Cabaça de Colo

Nós que fazemos parte do Turismo Comunitário do Litoral Cearense e do GT de turismo de Caetanos de Cima não satisfeitos com as propostas do turismo convencional, estamos vivenciando essa experiência e acreditando que é mais uma opção de emprego e renda para as comunidades do litoral, sem a necessidade da destruição do Meio Ambiente e das culturas locais para oferecer aquelas pessoas que nos visitam, viverem e compartilharem parte do que somos e vivemos.

O espaço Cabaça de Colo disponibiliza de:

* Ambiente familiar;
* Duas suítes com cama de casal, banheiros, espaços para duas redes;
* Diárias com direito a café da manhã;(60,00 para duas pessoas)
* Almoço;
* Frutas e pequenas hortas orgânicas;
* Galinha caipira, capote, peru, peixe;
* Área de lazer;
* Espaço para acampar e lual, etc.
* Espaço para guardar veículos;

Fica a 2km da praia.

A comunidade dispõe de outros serviços:

* Pousada Toca dos Grauças;
* Chalé Velejador dos Sonhos;
* Passeios de carroça;
* Passeio de canoa,
* Trilha ecológica;

Contatos:
E-mails: anasuelipinto@yahoo.com.br
valyrespescador@yahoo.com.br
Telefone de contato: (085)99221987


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Venha viver essa experiência!!!

Publicado por: caetanosdecima | 06/04/2011

RESISTÊNCIA EM CAETANOS DE CIMA; A TERRA É NOSSA!

        Hoje aqui em Caetanos de Cima tivemos uma visita do incra para conversar conosco sobre as terras do assentamento que estão sendo invadidas , pelo simples fato de acharem que as mesmas não tem donos. Fomos então ver os espaços demarcados e acabamos iniciando uma ação onde arrancamos todas as balisas. Essa nossa atitude parece estúpida ,mas na verdade é um meio de mostrar que temos esperança de que essa causa seja resolvida a nossa favor. Enquanto isso não acontece lutamos  com nossas próprias mãos pelo que queremos e sonhamos para ,nós, nossos filhos e nossos netos.

Sonhamos com um futuro sem pessoas querendo tomar o que construímos durante tantos e tantos anos. Essa terra  é do assentamento, foi desapropriada ,e a mais de 20 anos que nós de Caetanos de Cima lutamos para preservar um espaço de dunas, lagoas  e  nossas casas, de pessoas que se dizem donos ou simplesmente demarcam sem comunicar ou pedir permissão. Não temos previsão de quando isso vai acabar, só não vamos entregar o que é nosso de mão beijada , pois do jeito que está indo ,se não nos mobilizarmos corremos o risco de perder até nossas casas.

Pedimos apoio de todos, nessa luta que está só começando.

Publicado por: caetanosdecima | 22/01/2011

Grupo de mulheres de Caetanos 100% em movimento

O grupo de Mulheres de Caetanos de Cima está com tudo na sua nova atividade turisticas.

Venha conferir o RESTAURANTE GRUMCACI,aqui você vai encontrar uma boa comida, algo para acompanhar, muita música e praia pra se divertir.

Estamos a sua esperas nas sextas, sábados e domingos. Dispomos de almoços, lanches, bebidas e petiscos além de show de músicas acústicas que é realizado duas vezes ao mês. Por falar nisso o proximo show será dia 06 de fevereiro.

Temos também produtos artesanais (rendas, fuxico, crochê), brechós(roupas, calçados e utensílios domésticos em bom estado por um bom preço).

Venha! Teremos um grande prazer em receber a todos.

Para entrar em contato conosco escreva para: iedamarya@hotmail.com.

Publicado por: caetanosdecima | 15/01/2011

Nova Página no Blog

Olá leitores, acabemos de postar uma nova página, chama-se Rede Tucum. Esta página fala sobre a Rede de Turismo Comunitário( Rede TUCUM), uma rede que agrupa 12 comunidades do litoral do Ceará. Comunidades estas que encontraram com a Rede Tucum uma forma de mostrar para o mundo os tesouros ali encontrados.

Dêem uma olhada está sensacional!!!

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